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Ozônio na Área Industrial

 

Todo o aprendizado na aplicação do ozônio na área industrial nada mais é, do que reproduzir a natureza, portanto, trata-se de um processo natural, seguro, limpo e economicamente viável.

 

Quando a maior parte das pessoas pensa em ozônio, pensa na camada de gás presente na atmosfera da terra e que nos protege da ação dos gases ultravioleta. No entanto este gás, o qual por vezes pode ser detectado como um odor fresco após as tempestades e atualmente uma valiosa ferramenta para uma variedade de usos industriais com compromisso ambiental.

 

Ozônio Desinfectante


Basicamente, o que diferencia o ozônio dos diversos agentes desinfetantes, é o seu mecanismo de destruição dos microorganismos. O cloro por exemplo, atua por difusão através da parede celular, para então agir sobre os elementos vitais no interior da célula, como enzimas, proteínas, DNA e RNA. O ozônio, por ser mais oxidante, age diretamente na parede celular, causando sua ruptura, demandando menor tempo de contato e tornando impossível sua reativação. Dependendo do tipo de microorganismo, o ozônio pode ser até 3.125 vezes mais rápido que o cloro na inativação celular.

 

Aplicação de Ozônio em Carnes


Para a estocagem de carne é suficiente a aplicação de ozônio em um ou dois períodos diários, com duração de duas horas e concentração de 6 mg pôr metro cúbico de ar. A aplicação de ozônio provou ser particularmente benéfica no processo de amaciamento da carne (tenderização). Neste processo, a carne é conservada durante 42 a 44 horas em um espaço fechado, na temperatura de 20ºC e numa umidade de 85%. O processo de amaciamento consiste, na verdade, na ação digestiva das enzimas para amaciar músculos e cartilagens. O processo, entretanto, pode ser feito em 20 dias numa temperatura de 6°C.


O efeito acelerador da temperatura no amaciamento promove a formação de solo fértil para a multiplicação de bactérias nocivas e esporos de natureza danosa. O objetivo a ser atingido com o emprego do ozônio, é a destruição destes organismos na superfície dos produtos. Nas câmaras de amaciamento de carne (tenderização), concentrações de 0,1 ppm, umidade relativa de 60% a 90% devem ser mantidas de acordo com Ewell. De acordo com outros autores, concentrações de ozônio da ordem de 0,04 ppm, embora seja falha para a completa esterilização, retarda o crescimento de bactérias.


A ação germicida do ozônio é restrita somente à superfície também no caso da carne, tendo uma pequena profundidade de penetração. Fungos em forma de esporos podem ser destruídos somente se atacados pôr uma alta concentração de ozônio.


A vida de estocagem da carne, no estado refrigerado, pode ser aumentada de 30% a 40% se a mesma for conservada numa atmosfera de 10 a 20 miligramas pôr metro cúbico de ar, e se a saturação micro biológica de sua superfície, não for maior do que 10 bactérias/cm. Uma investigação detalhada sobre o tempo de vida de estocagem para carnes de vaca, vitelas, porcos, carneiros, frangos e coelhos em atmosfera ozonizada foi feita por Billion.  No caso de diversas variedades de carnes, estocadas em atmosfera normal, encontrou-se importante contaminação microbiana após sete dias.


Com o uso do ozônio, contaminação do mesmo nível foi encontrada somente após 14 (quatorze) dias. Pode se afirmar que em uma atmosfera refrigerada e com a presença de ozônio, o crescimento da micro flora (famílias pseudomonas, esporos, salmonelas, estafilococus) é retardado, contudo, nenhum efeito é exercido pelo ozônio na micro flora se a extensão de contaminação já for grande. Apesar do ozônio falhar na produção de um efeito anti-séptico em carnes estocadas, ele ainda faz com que a atmosfera de câmaras refrigeradas seja fresca e saudável. Peixes frescos podem ser estocados pôr períodos mais longos, se lavados com água ozonizada, e, se preservado com o gelo produzido com água contendo ozônio, um tempo maior de estocagem pode ser obtido.

 

Aplicação de Ozônio em Queijos


Testes bem sucedidos com o uso de ozônio foram realizados durante o processo de cura e estocagem de queijos. Esporos criados nas superfícies dos queijos, durante o período de cura, foram destruídos e o tempo de estocagem aumentado para onze semanas pela aplicação de ozônio numa pequena concentração de 0.02 ppm na temperatura de 288 º K e numa umidade relativa de 80% à 85%. Os testes foram realizados com queijos do tipo Cheddar, indicando que, odores outrora presentes nos locais de estocagem, foram também eliminados pela ação oxidante do ozônio.


Aplicação de Ozônio em Ovos


O ozônio tem sido utilizado, com sucesso, na estocagem de ovos, e desde o fim da década de trinta, mais de oitenta pôr cento dos locais refrigerados para estocagem de ovos nos Estados Unidos já eram equipados com geradores de ozônio para aumentar o tempo de estocagem.

 

Aplicação de Ozônio em Bebidas


O tratamento de ozônio acelera o envelhecimento dos vinhos, evita turbidez e refina o seu bouquet, o qual é mantido pôr um tempo maior. A estocagem de leite, sucos e refrigerantes, é aumentada pelo ozônio, evitando sua deterioração. A esterilização de água, necessária a produção de bebidas, é importante devido à crescente demanda de água de boa qualidade. Muitas vezes, águas de poços artesianos são usadas em escala industrial na produção de refrigerantes. Embora perfeitas nos requisitos biológicos, (sabor, odor) elas podem apresentar uma indesejável cor marrom clara proveniente do solo e que pode ser retirada pelo ozônio.

 

O principal requisito é a retenção, durante o período de 4 a 8 semanas, entre o enchimento e o consumo. O ozônio provou ser o mais eficiente método para esterilização, suplantando processos convencionais usados previamente como UV, irradiação, tratamento com cloro, prata, e filtragem. Uma das mais comuns bebidas é a água mineral. Muitas, entretanto, contém manganês e ferro. Aplicando-se os métodos usuais para a remoção de manganês e ferro, o dióxido de carbono dissolvido, naturalmente existente, será grandemente consumido.

 

O uso do ozônio, neste caso, apresenta a vantagem de total oxidação do ferro e manganês, junto com a retenção de alta concentração do dióxido de carbono dissolvido. O ozônio também é usado na indústria do leite, para evitar a sua deterioração. Tal esterilização aumenta grandemente o tempo de estocagem. Em cervejarias, o ozônio pode ser usado com vantagem, na desinfecção de tubulações, filtros, garrafas, etc. Se existirem resíduos fenólicos, e for usado cloro, eles serão transformados em clorofenóis que possuem sabores e odores intoleráveis para as cervejas. O ozônio cria pontos de especial interesse para fabricantes de cervejas, e utilizadores de outros processos semelhantes, porque ele representa um biocida sem resíduos persistentes ou tóxicos.

 

Taxas Relativas de Desinfecção

 

DESINFETANTE CONCENTRAÇÃO
mg/l

ESCHERIC. COLI
contagem por ml

TEMPO para 99 %
de DESINFECÇÃO

Ozônio

0,1

60.000

0,08

Cloro

0,1

60.000

250


Poder de Oxidação Relativa de Substâncias Desinfetantes

 

Desinfetantes

Potencial de Oxidação(Volts)

Poder relativo de Oxidação*

Ozônio

2,07

1,52

Peróxido de hidrogênio

1,77

1,30

Hipoclorito

1,49

1,10

Cloro

1,36

1,00

* Baseado no cloro como referência (=1,00)

 

Potencial de Oxidação

 

Oxidante

Potencial  de Oxidação

Radical hidroxila

2,8

Ozônio

2,07

Peróxido de hidrogênio

1,78

Permanganato de potássio

1,70

Hidrocloreto

1,49

Cloro

1,36

*** Em relação ao cloro, tem 1,5 vezes maior poder de oxidação e dependendo da substância que está sendo atacada é até 1500 vezes mais rápido. A pressão parcial do ozônio é bastante inferior à do oxigênio, sendo facilmente absorvido pela água; 50 vezes mais rápido que o oxigênio.